Os temas que marcaram a audição do presidente da KPMG
Sikander Sattar foi ouvido esta terça-feira na comissão parlamentar de inquérito do BES e ao BES. Veja os temas que marcaram a audição do presidente da KPMG.
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Auditora desde 2002, lança alerta em 2012
"É importante recordar que foi a KPMG, no âmbito do acompanhamento da carteira de fundos de investimentos mobiliários geridos pela ESAF, quem alertou para o nível de concentração elevado em carteiras de títulos do Grupo Espírito Santo". Sikander Sattar diz que esse alerta da KPMG, auditora do BES desde 2002, foi lançado nas contas de 2011 e de 2012. O Espírito Santo Liquidez, gerido pela ESAF, tinha uma carteira em que grande parte dos títulos era do GES. Essa concentração não era proibida, "mas tal não impediu que a KPMG tivesse emitido essa ênfase nos relatórios". A concentração foi proibida em 2013. Mas tal redução acabou por levar o GES a colocar dívida directamente nos clientes nos balcões do BES.
Custo das obrigações BES quase duplicou em 15 dias
Em 2014, a KPMG começou a analisar as contas do BES relativas ao primeiro semestre, detectou operações, feitas já em Julho, de venda de obrigações por parte de sucursais do BES no estrangeiro. A 16 de Julho, a indicação de que tais operações estavam a causar perdas ao BES foi dada ao Banco de Portugal, embora sem quantificação. Posteriormente, a auditora percebeu que a emissão de obrigações passava pelo banco do GES no Panamá que, contudo, não ficou com as mais-valias, então na ordem de 700 milhões de euros (mais-valias para quem as vendia, perdas para o banco). A 25 de Julho, a expectativa era de que as perdas para o BES pudessem "ultrapassar significativamente" esse montante. A 28 de Julho, o Banco de Portugal foi avisado de um encargo de 1.200 milhões de euros. Que justificaram parte dos prejuízos de 3.577 milhões.
Angola pesou na capitalização, mas não nos resultados
Depois da apresentação de resultados, deu-se a resolução. Uma medida que exigiu 4,9 mil milhões de euros, dois terços dos quais relativos à exposição a Angola. Um problema que não existia nas contas de Junho, nem de Dezembro. "No que se refere ao impacto do BESA nas contas consolidadas, o BES tomou naturalmente em consideração a existência de uma garantia soberana que permitia salvaguardar eventuais perdas". Havia uma garantia estatal para cobrir eventuais perdas desde o final de 2013, que foi tida em conta nos resultados apresentados a 30 de Julho. A 3 de Agosto, na resolução, decidiu-se não contabilizar a garantia, daí o peso de Angola na capitalização. O que mudou nestes dias? Sikander Sattar não sabe.
Cooperação com supervisores
Um dos temas centrais nas audições do inquérito ao BES e GES tem sido a relação entre as entidades em torno do banco. No caso da KPMG, a convicção é a de que a "cooperação entre a KPMG Portugal e as autoridades de supervisão, Banco de Portugal e a CMVM, foi particularmente constante e foi intensa e extensa". Uma "cooperação de referência" que permitiu actuar "com uma rapidez assinalável - verdadeiramente em cima da hora". Sikander Sattar defende que a auditora actuou "em cima dos acontecimentos" e que esteve não só a identificar as operações, mas também a verificá-las, quantificá-las e a fazer recomendações sobre as mesmas.