Como interpretar o mapa
As cores do mapa ilustram o problema que mais se faz sentir em cada país, apesar de relevâncias distintas. A xenofobia na Alemanha não se equipara à guerra na Ucrânia. Ao principal factor de tensão juntam-se outros que coexistem, ilustrados com símbolos.

Rússia
A acentuada desvalorização do petróleo (40% das exportações russas) colocou a nu as graves deficiências de uma economia que não se soube diversificar. A desvalorização do rublo foi a maior desde a crise financeira de 1998. As sanções económicas aplicadas pela Europa, EUA e Canadá, contra Moscovo, colocam entraves ao financiamento do sistema financeiro russo e asfixiam o sector energético. E nem mesmo o importante acordo energético com a China ou a aproximação a países como Chipre, Grécia e Hungria, impedem a decadência económica e demográfica russa. Vladimir Putin está determinado em conter a expansão a leste da NATO e procura atrair países europeus para o seu lado. A ausência de poderio militar e política externa da Europa foi aproveitada na Ucrânia. O líder russo aposta tudo em reafirmar a preponderância russa sobre os seus territórios limítrofes e não descarta a via militar. Os Bálticos estão alerta. O assassinato de Boris Nemtsov, opositor de Putin e da acção russa na Ucrânia, faz lembrar velhas práticas da URSS.
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Ucrânia
Aquele que é o maior país em território exclusivamente europeu corre o risco de se desagregar. Porque depois de a Rússia ter anexado a península da Crimeia em Março de 2014, e apesar de os objectivos definidos no acordo de paz Minsk 2 começarem, finalmente, a ser implementados no terreno, ninguém pode garantir que as autoproclamadas repúblicas independentes do Donbass e Luhansk vão desistir de tentar consolidar a maior autonomia possível para aquelas regiões do Donbass. Há ainda a cidade portuária de Mariupol, alvo da cobiça separatista. A par da guerra que assola o país desde Abril passado, e da pretensa intervenção russa no conflito, Kiev confronta-se também com uma grave crise financeira que já levou o FMI e a UE a avançarem com programas de ajuda financeira. Em troca, as novas autoridades ucranianas terão de garantir uma efectiva luta contra a endémica corrupção e construir uma real administração pública, algo nunca alcançado desde a independência do país em 1991. Para aderir à UE e à NATO, o presidente pró-europeu Petro Poroshenko terá certamente de enfrentar uma feroz oposição de Moscovo.
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Turquia
Apesar de já não ser primeiro-ministro, o agora presidente Recep Erdogan está a caminho de conseguir concentrar todo o poder nas suas mãos. Numa sociedade altamente dividida, a disputa entre quem quer uma sociedade mais islamizada e os seguidores da secularização de Atatürk pende cada vez mais para os primeiros.
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Bósnia/Kosovo
A convivência entre os três principais grupos étnicos de cada uma destas regiões é cada vez mais inconciliável. Apesar de a conflitualidade nunca ter cessado nos Balcãs, avolumam-se os dados recolhidos por organizações internacionais que indiciam um novo processo de limpeza étnica em marcha. Ambos possuem características de Estados falhados.
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Grécia
Os danos colaterais para a Europa resultantes da vitória do partido anti-austeridade Syriza nas legislativas de 25 de Janeiro parecem controlados após o acordo alcançado entre a Grécia e os credores. Mas as crises financeira e humana permanecem uma ferida aberta no país. E o descontentamento social poderá agudizar-se quanto menor for a capacidade do novo Executivo helénico para implementar as políticas prometidas. Face à persistente crise financeira no país, as atenções centram-se na capacidade de resposta do Governo e o grau de solidariedade europeia, que irão ditar se a saída grega do euro voltará a estar em cima da mesa. O neofascista Aurora Dourada está à espreita e é o terceiro partido mais votado. Perto da Grécia, também Chipre permanece sob programa de assistência, depois de em Fevereiro não ter finalizado a avaliação periódica à aplicação do memorando. Tal como Atenas, Nicósia aproxima-se da Rússia.
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Hungria
O primeiro-ministro Viktor Orbán sustenta que "nem todas as democracias têm de ser liberais". Mesmo tendo perdido, a 22 de Fevereiro, a maioria qualificada no parlamento, Orbán conseguiu, desde 2010, avançar com várias reformas: Constituição, justiça, economia e limitação da liberdade de imprensa. Acusado de "putinização" do regime, Orbán não se coibiu de, em Setembro, suspender o fornecimento de gás natural a uma Ucrânia com a torneira russa fechada. Em Fevereiro, o líder húngaro negociou com o presidente russo Vladimir Putin acordos para o fornecimento de gás e cooperação nos sectores da saúde, educação e nuclear. Orbán prontificou-se a anunciar que é contra a criação de uma "união energética" europeia, que considera uma "ameaça" para o seu país. Paralelamente à aplicação de sanções económicas contra Moscovo, Viktor Orbán aproxima-se de Putin enfraquecendo uma posição de conjunto europeia.
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França
A incapacidade do presidente François Hollande para corresponder às promessas eleitorais erodiu ainda mais a confiança dos franceses nos partidos do centro, deixando o eleitorado gaulês ainda menos imune aos apelos nacionalistas e identitários da Frente Nacional. Marine Le Pen apresenta-se como forte candidata à vitória nas presidenciais de 2017 e ameaça a coesão de uma Europa que se construiu e consolidou a partir do eixo fundamental Paris-Berlim. À incapacidade de recuperação económica e aos conflitos decorrentes de um mosaico social profundamente desigual somam-se os receios derivados da ameaça terrorista, agora sublimados pelo atentado jihadista ao jornal satírico Charlie Hebdo. Factores que tendem a reforçar o apelo populista de Le Pen, cuja defesa de posições antieuropeias e de políticas anti-imigração ameaça colocar em causa a tradicional posição porta-estandarte da França na UE.
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Espanha
O movimento soberanista na Catalunha tem centrado as atenções mediáticas e feito correr muita tinta dentro e fora de Espanha. A isto soma-se a perene ambição independentista do País Basco. Por outro lado, a fulgurante ascensão eleitoral do Podemos, bem como do catalão Cidadãos, parece anunciar o fim do bipartidarismo.
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Itália
O instituto Demos publicou recentemente uma sondagem que mostrava que um terço dos italianos é favorável a sair da alçada de Roma. Fenómeno mais visível na Pâdania (região rica do Norte do país), onde a independentista Liga do Norte de Umberto Bossi vem ganhando crescente protagonismo com um discurso contra os despesistas do Sul.
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Reino Unido
Com legislativas marcadas para Maio, e apesar da estabilização do nacionalista UKIP na terceira posição, o primeiro-ministro conservador David Cameron já prometeu que se vencer as próximas eleições promoverá, em 2016, um referendo sobre a permanência do tradicionalmente eurocéptico Reino Unido na União Europeia.
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Holanda
Nas eleições para o Parlamento Europeu de 2014, o Partido da Liberdade, que se afirma de centro-direita mas muitos classificam de extrema-direita, ficou a somente dois pontos percentuais dos dois partidos mais votados. O discurso anti-islâmico e eurocéptico do partido de Geert Wilders ganha cada vez mais adeptos.
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Alemanha
As manifestações realizadas em Dresden contra a "islamização" realçam um problema que estava latente na sociedade alemã. O DW mostrou recentemente uma sondagem em que 29% dos alemães considera que as manifestações do PEGIDA (Patriotas Europeus contra a Islamização do País) são "justificadas".
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Dinamarca
O ataque perpetrado por um jovem dinamarquês contra a homenagem aos jornalistas do Charlie Hebdo, fez recordar que este é um dos países que mais jovens vê partir para combater ao lado dos jihadistas na Síria. Após vencer por larga margem as europeias de 2014, o anti-imigração Partido do Povo da Dinamarca lidera as intenções de voto para as legislativas deste ano.
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Áustria
A Áustria é um dos países europeus mais penalizados pelas sanções económicas aplicadas a Moscovo. Com o desemprego em máximos de 30 anos e um crescimento económico marginal, os austríacos tornam-se cada vez mais eurocépticos. O Partido da Liberdade, de extrema-direita, segue com 25% nas intenções de voto, a apenas 2 pontos dos Sociais Democratas.
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Finlândia
Com eleições legislativas a 19 de Abril, a aprovação do parlamento finlandês do prolongamento do programa de assistência à Grécia será, certamente, utilizada pelos populistas eurocépticos Os Verdadeiros Finlandeses para captar votos do eleitorado que é contra o apoio à Grécia e aos países do Sul.
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